19/08/2012

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Não sei por onde começar. Nem sei se este texto tem um começo, é apenas o meu coração a falar, os meus dedos a percorrerem as teclas à procura das letras certas para que não seja mal interpretada e para que percebam o que sinto. Não parece nada difícil, não é? Basta-me escrever. Mas na verdade, é bastante difícil. E custa imenso quando tentamos dizer algo e não percebem; custa imenso quando fingimos que estamos bem e ninguém vem ter connosco e diz "eu sei que não estás bem"; custa mentir ás pessoas que amamos e elas nem sequer se aperceberem que há algo de errado; custa fugir aos monstros na nossa cabeça; custa fugir de nós próprios;  custa não sabermos quem somos na verdade; custa imenso.. E por tudo isto, também custa transpôr os sentimentos para a escrita. Quando não se sabe bem o que se sente ou quando, na realidade, não se sente absolutamente nada. Só um vazio, um vazio enorme que nos atormenta dia e noite. Do qual tentamos fugir mas nunca nos conseguimos esconder e ele encontra-nos sempre. Isso custa. E é complicado também. Mas, digam-me, o que é que nesta vida não é complicado? Agora até amar é complicado! Parece piada, parece uma cena de uma daquelas comédias românticas em que rimos, choramos e no fim o casalinho principal fica junto.. merdas, é o que vos digo. Durante muito tempo eu acreditei que realmente poderia haver uma certa felicidade no amor mas depois tudo o que á minha volta representava, para mim, amor.. desapareceu. Tudo começou a ruir e eu no meio de tudo, não pude fazer mais nada sem ser assistir à auto-destrução de tudo o que conhecia como as coisas boas, como o amor. Agora, perguntam-se se eu acredito no amor.. Nem eu vos sei responder a isso. Acreditei, até à duas semanas a última coisa que me restava começar a destruir-se também. Eu tento sabem? Eu tento lutar pela única coisa que eu acho que ainda vale a pena, mas lá está.. custa. É difícil. E eu, bem.. vocês sabem.. eu não sou tão forte como aparento, tenho muita coisa dentro de mim que só apenas eu sei e que se deixasse sair, muita coisa ia mudar. Não preciso de mais pesos nos meus ombros. Precisava sim do que falei antes. Que percebam. Que percebam que quando começo a falar com frases curtas, não estou bem. Que percebam que quando digo que está tudo bem (porque sempre que essas palavras, "está bem", saem da minha boca) é porque está tudo total e completamente mal. E custa que nunca ninguém perceba. Custa que eu tenha de crescer demasiado depressa e tenha de aprender a safar-me sozinha. Custa que quando eu encontro um apoio, mais tarde ou mais cedo ele acabe, ele vá embora. Ao menos sei de quem é a culpa. Se tudo acaba, não é culpa de mais ninguém nem de mais nada sem ser minha. E eu já me habituei, o pior não é isso. O pior é, de cada vez que fico melhor é por causa de alguém que, depois limita-se a partir, ou porque quer ou.. por minha causa. E agora, a culpa é minha, como sempre. Eu sei que isto do amor tem momentos bons e maus. Como aquilo dos filmes que falei. O Casal conhece-se, apaixona-se, acontece algo muito mau e ficam afastados e no fim, acontece uma coisa qualquer que os faz ficarem juntos. O tão esperado "e viveram felizes para sempre". Mais merda, digo eu. Talvez exagere um pouco mas.. sei lá. Eu estou cheia de falhas, sou feita de defeitos, deixei muitos destes maus momentos arruinar tudo e peço desculpa, mas a verdade é que somos feitos de mais de momentos bons do que maus. Nós. Não eu, nem tu. Nós. Mas nos últimos dias estas coisas do "nós" fugiram um bocado do controle não foi? Eu tentei não ligar a isto porque por ti.. por ti eu estava disposta a tudo. Ainda estou. Apesar de não perceberes que estou magoada, principalmente hoje. Principalmente por hoje ser hoje. Por ser o dia que é e não teres prestado atenção a isso. Mas não, não posso censurar-te. Não posso dizer nada. Não posso nunca mais dizer nada. Não quero perder-te como estou a perder agora. Porque só eu sei o que é olhar bem para mim e ver o vazio a aumentar cada vez mais. Só eu sei o que é perder alguém que nos faz tão bem como tu me fazes a mim. Nós somos os opostos, mas encaixamos um no outro na perfeição, eu sei e acredito que sim! Tu és o certo e eu o errado. Tu és quem eu até gostava de conseguir ser, de bem com a vida. E eu sou quem nunca pensei ser. Sou toda errada e há muito que virei as costas à vida. Mas é por isso mesmo que me fazes tão bem, o pouco de bom e de feliz que ainda há em mim, tu trazes ao de cima. O teu olhar complementa o meu, o teu sorriso é o motivo do meu existir, as nossas mãos foram feitas uma para a outra e encaixamos na perfeição apesar de sermos tão diferentes. Mas somos felizes mesmo assim. Então, porque não percebes? Porque é que não percebes que és a melhor coisa que aconteceu na minha vida, que és melhor coisa que podia ter aparecido na minha neste exacto momento? E que, de certeza és a outra parte do casalinho da minha comédia romântica. Eu tentei não me importar com a distância, tentei não me importar com toda aquela gente a ver-te todos os dias, tentei não me importar com o facto de eu estar miserável e sozinha, tentei fingir que estava tudo bem quando na verdade estava tudo mal. Mas também não percebeste e eu deixei as coisas correr. Até hoje. Até ao dia em que, aos meus olhos, ignoraste por completo o seu significado e que, por mais pequena seja a sua importância para ti, é bastante para mim. Eu não costumo alcançar grandes coisas, nunca sozinha e muito menos numa.. parceria. Acho que também não me podes censurar por isso! Mas não, voltemos á minha culpa, á culpa que sempre tive em tudo. E peço desculpa.
Já não sei bem o que raio escrevi, a mim parece-me tudo um grande borrão preto no ecrã do computador. As lágrimas estão seguras, não choro. Há muito que não o faço e não é por ti, o amor da minha vida, que o vou fazer. Mas, prometemos não ter segredos um para o outro e eu vou cumprir. E não vou esperar pelo dia de amanhã para contar tudo. Por isso aqui está. Toda a minha mágoa, tudo o que sinto está aqui. Todo o meu amor também. Porque isso.. isso é algo que nunca podes duvidar. Porque eu não ignorei. Eu esperei pelo dia de hoje e como que o festejei. Sozinha, mas.. Não importa agora. Já disse tudo. Falta apenas algo bastante simples. Amo-te.

6 comentários:

- Patrícia Barros ॐ disse...

De nada (:
Ainda bem , espero que aguentes que consigas :D

silvioafonso disse...

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Você se casaria com alguém
que tivesse um filho de um
outro casamento? Pois o cu-
nhado do Luiz se casou e
deu no que deu.

Detalhes no meu blog.

Beijos,

Palhaço Poeta






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Verónica Barros disse...

- o texto mais lindo que já li na minha vida inteira :o
- permanece forte princesa

Verónica Barros disse...

não é mesmo exagero , juro !
tal e qual como eu mereço tu também ! só tens que lutar por isso * :)

Verónica Barros disse...

Obrigado querida, sim , a música e o video dela tem um grande impacto em mim , a letra da música diz me mesmo muito , já vi a música praí umas 6 vezes e a música tou sempre a ouvi-la e choro sempre.
e sim, eu sei que tenho que pensar mais em mim , eu sei disso tudo , e vou lutar por isso com todas as minhas forças. Obrigado * :)

adriana ♥ disse...

gostei muito!